esteira
essa semana morreu marielle. assassinada. executada a tantos tiros. vereadora eleita democraticamente em meu país. defensora dos direitos humanos. mãe, negra, mulher, da favela, lésbica. e sua morte gerou uma dor enorme em tantos nós. representou uma derrota muito grande para tantas frentes de luta. às vezes, eu paro o dia e penso nessa morte. me dá um medo danado de seguir nesse mundo. me dá uma raiva e vontade de fazer alguma coisa mas nunca sabemos bem o quê. fico pensando que essa é a história da humanidade: as pessoas sempre foram más e estão completamente perdidas sobre como seria um caminho justo, alegre e bondoso. que sempre foi assim e sempre há de piorar. penso um monte e depois não penso mais. penso que preciso fazer o almoço. e daí o cotidiano nos engole, nos puxa na sua corrente. passam os dias, passa o desespero. a dor nunca passa, mas fica ali no canto, sendo ativada por memórias.
é assim no meu feed de notícias do facebook. no dia mesmo da morte de marielle todos as publicações abordavam a incredulidade de tal ato. derramavam a dor e a tristeza que aquele momento gerava. até que vi o primeiro post que discordava de tal comoção. o marido de uma prima. chegou depois outro. a mãe de um amiguinho da ex-escola do meu filho. até que chegam os posts falando das calúnias que surgem sobre a figura da marielle. a desembargadora sei lá das quantas que falou asneiras. chega também publicações da própria família da marielle. sua sobrinha. sua irmã. vejo a foto da companheira da vereadora e as pessoas questionando a invisibilidade lésbica. chega a notícia de mais mortos. a violência cotidiana do rio de janeiro que não deixa escapar. um bebê é morto em confronto entre policias e traficantes. a história diária da cidade. publicações questionando o por quê da marielle ser tão especial. publicações explicando o por quê que a marielle era tão especial. e, finalmente, começam a surgir assuntos aleatórios. um meme de humor perguntando quando os humilhados serão exaltados. mais uma foto engraçada com uma piada pronta de internet. fotos de um passeio de fim de semana de alguém. fotos de gatinhos para adoção. o aniversário de casamento. a ida ao teatro. agora são poucos que seguem firmes no assunto marielle.
marielle começa a ser engolida pelo cotidiano e pela lógica da timeline. do envio e compartilhamento de notícias das nossas atuais redes sociais. redes de pessoas que se juntam publicamente mas de forma virtual. que se agridem, se xingam e se confessam sem nem ao menos enxergar a expressão facial do outro. redes que funcionam a partir da seguinte lógica: não pare. compartilhe. permaneça. uma esteira rolante de informações.
hoje eu estou cansada. me faltam esperanças. estou sendo completamente amassada pela esteira. já não sei mais o que poderia gerar uma força bem grande que parasse essa esteira. algo que fizesse tudo cessar. nada mais importa. parem as máquinas.
se não isso, o que?
é assim no meu feed de notícias do facebook. no dia mesmo da morte de marielle todos as publicações abordavam a incredulidade de tal ato. derramavam a dor e a tristeza que aquele momento gerava. até que vi o primeiro post que discordava de tal comoção. o marido de uma prima. chegou depois outro. a mãe de um amiguinho da ex-escola do meu filho. até que chegam os posts falando das calúnias que surgem sobre a figura da marielle. a desembargadora sei lá das quantas que falou asneiras. chega também publicações da própria família da marielle. sua sobrinha. sua irmã. vejo a foto da companheira da vereadora e as pessoas questionando a invisibilidade lésbica. chega a notícia de mais mortos. a violência cotidiana do rio de janeiro que não deixa escapar. um bebê é morto em confronto entre policias e traficantes. a história diária da cidade. publicações questionando o por quê da marielle ser tão especial. publicações explicando o por quê que a marielle era tão especial. e, finalmente, começam a surgir assuntos aleatórios. um meme de humor perguntando quando os humilhados serão exaltados. mais uma foto engraçada com uma piada pronta de internet. fotos de um passeio de fim de semana de alguém. fotos de gatinhos para adoção. o aniversário de casamento. a ida ao teatro. agora são poucos que seguem firmes no assunto marielle.
marielle começa a ser engolida pelo cotidiano e pela lógica da timeline. do envio e compartilhamento de notícias das nossas atuais redes sociais. redes de pessoas que se juntam publicamente mas de forma virtual. que se agridem, se xingam e se confessam sem nem ao menos enxergar a expressão facial do outro. redes que funcionam a partir da seguinte lógica: não pare. compartilhe. permaneça. uma esteira rolante de informações.
hoje eu estou cansada. me faltam esperanças. estou sendo completamente amassada pela esteira. já não sei mais o que poderia gerar uma força bem grande que parasse essa esteira. algo que fizesse tudo cessar. nada mais importa. parem as máquinas.
se não isso, o que?



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