dia 2
é na verdade um dia maior que o dia 2, mas eu esqueci desse blog.
o instagram é uma cocaína. percebi isso no início. minha mão coçava. falava para mim mesma: é só uma olhadinha. é só mais essa vez. ficava então quase uma hora olhando a vida dos outros. olhando unicamente fatos desinteressantes sobre coisa nenhuma que não afetam diretamente nem indiretamente minha vida. exclui o aplicativo do meu aparelho. eu entrava então pelo google chrome. pensei em excluir minha conta, mas percebi que acharia formas também de burlar isso. pensei então que, pelo amor de deus, fernanda, isso não é verdadeiramente cocaína. isso é uma metáfora e você é uma pessoa adulta. e que eu não ia mais perder meu tempo com isso.
comecei a ler um livro. 2666 do bolaños. são mais de 600 páginas e eu ainda não terminei. comecei a fazer crochê. fiz um tapete quase inteiro e um casaco que deu errado. comecei a fazer bordado e desenhei uma caneca de chope com linhas. comecei a me dedicar à produção de um cineclube. comecei a tirar do papel a antiga ideia de um negócio com coisinhas de pano.
comecei também a não fazer absolutamente nada e olhar só as coisas ao redor. a arrumar a terra, colocar roupa no varal e molhar meu pé num riachinho que atravessa minha casa. e a perceber como é feita a teia de uma aranha. e notar como se move uma lagartixa. e cheguei até a ver um tatu numa noite rondando meu jardim. e a encontrar um caranguejo de água doce nesse mesmo riachinho que atravessa o terreno.
comecei então a notar que não fazia falta no meu dia a dia. que eu vivi uns 20 anos, no mínimo, sem o instagram. e que pessoas viveram sei lá milhares de anos sem ele. e que afinal eu venci. hoje. só por hoje.
dia 2 foi quase um mês. e eu posso estar debochando, mas realmente me preocupa. a dependência que a gente deposita em coisas que nem ao menos entendemos por completo. a necessidade constante em ver e ser visto, sem nem ao menos pensarmos efetivamente no que isso acarreta em nossos cérebros e relações humanas.
esse blog, então, passará a se dedicar também em lançar luz a estudos e argumentações que expliquem: o que as redes sociais estão fazendo com a gente. ponto de interrogação.
o instagram é uma cocaína. percebi isso no início. minha mão coçava. falava para mim mesma: é só uma olhadinha. é só mais essa vez. ficava então quase uma hora olhando a vida dos outros. olhando unicamente fatos desinteressantes sobre coisa nenhuma que não afetam diretamente nem indiretamente minha vida. exclui o aplicativo do meu aparelho. eu entrava então pelo google chrome. pensei em excluir minha conta, mas percebi que acharia formas também de burlar isso. pensei então que, pelo amor de deus, fernanda, isso não é verdadeiramente cocaína. isso é uma metáfora e você é uma pessoa adulta. e que eu não ia mais perder meu tempo com isso.
comecei a ler um livro. 2666 do bolaños. são mais de 600 páginas e eu ainda não terminei. comecei a fazer crochê. fiz um tapete quase inteiro e um casaco que deu errado. comecei a fazer bordado e desenhei uma caneca de chope com linhas. comecei a me dedicar à produção de um cineclube. comecei a tirar do papel a antiga ideia de um negócio com coisinhas de pano.
comecei também a não fazer absolutamente nada e olhar só as coisas ao redor. a arrumar a terra, colocar roupa no varal e molhar meu pé num riachinho que atravessa minha casa. e a perceber como é feita a teia de uma aranha. e notar como se move uma lagartixa. e cheguei até a ver um tatu numa noite rondando meu jardim. e a encontrar um caranguejo de água doce nesse mesmo riachinho que atravessa o terreno.
comecei então a notar que não fazia falta no meu dia a dia. que eu vivi uns 20 anos, no mínimo, sem o instagram. e que pessoas viveram sei lá milhares de anos sem ele. e que afinal eu venci. hoje. só por hoje.
dia 2 foi quase um mês. e eu posso estar debochando, mas realmente me preocupa. a dependência que a gente deposita em coisas que nem ao menos entendemos por completo. a necessidade constante em ver e ser visto, sem nem ao menos pensarmos efetivamente no que isso acarreta em nossos cérebros e relações humanas.
esse blog, então, passará a se dedicar também em lançar luz a estudos e argumentações que expliquem: o que as redes sociais estão fazendo com a gente. ponto de interrogação.


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